A enterrada parece saída de um videogame. Baron Davis acelera em direção ao garrafão, explode sobre Andrei Kirilenko — um dos maiores protetores de aro da NBA — e transforma a Oracle Arena em um terremoto coletivo. Até hoje, aquele lance continua entre os momentos mais violentos e simbólicos da história dos Playoffs.
O que muita gente não percebeu naquela noite é que Baron Davis entrou em quadra praticamente quebrado. Horas antes do jogo, o armador dos Warriors mal conseguia caminhar normalmente no vestiário. A lesão na coxa era séria. Os médicos tinham enormes dúvidas sobre sua condição física. Mesmo assim, ele decidiu jogar.
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A noite em que a Oracle Arena entrou em transe com Baron Davis
Os Warriors de 2007 já eram uma das histórias mais improváveis da NBA antes mesmo daquela enterrada acontecer. O time havia entrado nos Playoffs como 8º colocado do Oeste e encarava o Dallas Mavericks, dono da melhor campanha da liga.
Ninguém acreditava. Exceto Oakland. A cidade inteira comprou a ideia do “We Believe”. A Oracle Arena virou um ambiente quase insano emocionalmente. Barulho constante, torcida em pé e uma sensação permanente de caos favorável ao Warriors. Baron Davis era o rosto daquele espírito.
O líder emocional do “We Believe”
Muito antes de Stephen Curry redefinir a franquia, Baron Davis carregava o Warriors no peito como poucos jogadores conseguiram. Ele jogava com potência física absurda, criatividade e uma confiança que contaminava o ginásio inteiro.
Mas nos bastidores daquela série contra Utah Jazz, a situação física do armador preocupava seriamente a equipe. Davis lidava com fortes dores na coxa e dificuldades até para se movimentar normalmente.
“Eu não sabia como meu corpo iria responder”.
Ainda assim, ficar fora de quadra simplesmente não parecia opção.
A defesa que parecia impossível de atacar
Do outro lado estava Andrei Kirilenko. Naquele período, o ala russo era um dos defensores mais temidos da NBA. Longo, rápido e dono de excelente timing para bloqueios, Kirilenko transformava infiltrações em pesadelos. Poucos jogadores atacavam o aro contra ele sem hesitação. Baron Davis atacou mesmo assim. E fez isso sem estar fisicamente inteiro.
O lance que congelou a NBA por alguns segundos
Quando a adrenalina ignorou a dor
O momento aconteceu no Jogo 3 da semifinal do Oeste contra o Utah Jazz. Davis recebeu a bola em velocidade, atacou o garrafão e encontrou Kirilenko esperando próximo ao aro. A lógica apontava para uma bandeja improvisada ou talvez um passe. Mas Baron Davis simplesmente decolou.
A enterrada aconteceu com tanta violência que a Oracle Arena pareceu perder o controle emocional por alguns segundos. O banco explodiu. Torcedores pulavam sem direção. Narradores gritavam incrédulos. Kirilenko virou parte involuntária de um dos pôsteres mais famosos da história da NBA.
O detalhe que torna tudo ainda mais absurdo
Normalmente, enterradas históricas surgem de jogadores fisicamente no auge naquele momento. Com Baron Davis foi diferente. Ele estava lesionado. A explosão necessária para aquele salto contradizia completamente a condição física que carregava antes da partida. Companheiros relataram que ele sentia dificuldades até em movimentos simples no vestiário.
Mas existe algo que atletas frequentemente descrevem em grandes jogos: momentos em que adrenalina, torcida e competitividade criam uma espécie de desligamento temporário da dor. A enterrada de Baron Davis parece exatamente isso.
O símbolo perfeito da era “We Believe”
Talvez nenhum lance represente melhor aquele Warriors de 2007. Era um time imperfeito. Desacreditado. Fisicamente desgastado. Mas emocionalmente imparável. A enterrada sintetizou toda a identidade daquele grupo: agressividade, coragem e completa ausência de medo diante de favoritos teoricamente superiores.
Como uma enterrada virou patrimônio da franquia
Aquela jogada rapidamente ultrapassou o contexto da série. Virou capa de jornal. Virou camiseta. Virou pôster. Virou memória coletiva da NBA. Porque não era apenas uma enterrada bonita.
Ela carregava narrativa emocional forte demais: um armador lesionado desafiando um dos melhores defensores da liga em um dos ambientes mais elétricos da história recente dos Playoffs. E vencendo o duelo de maneira brutal.
A Oracle Arena como personagem principal
Existe outro elemento impossível de separar daquele momento: a atmosfera da Oracle Arena. Jogadores rivais frequentemente descreviam aquele ginásio como um dos lugares mais difíceis da NBA durante o “We Believe”. O barulho parecia constante do aquecimento até o fim do jogo.
Quando Davis enterrou sobre Kirilenko, o som da arena virou praticamente um rugido contínuo. Muitos torcedores do Warriors ainda tratam aquele lance como o instante exato em que perceberam que algo especial estava acontecendo com a franquia. Antes dos títulos. Antes da dinastia. Antes de Curry.
O “We Believe” não ganhou campeonato. Mas ajudou a reconstruir emocionalmente a relação entre torcida e franquia. Durante anos, o Warriors havia sido tratado como organização instável, sem relevância consistente na liga. Aquela campanha mudou completamente a energia em torno do time. E Baron Davis virou o símbolo máximo dessa transformação.
Baron Davis estava lesionado na enterrada sobre Kirilenko?
Sim. Baron Davis jogou aquela partida dos Playoffs de 2007 lidando com uma séria lesão na coxa e fortes dores físicas.
Contra quem foi a enterrada histórica de Baron Davis?
A enterrada aconteceu sobre Andrei Kirilenko, destaque defensivo do Utah Jazz e um dos melhores bloqueadores da NBA naquele período.
O que foi o “We Believe” do Warriors?
O “We Believe” foi a histórica campanha do Golden State Warriors nos Playoffs de 2007, quando o time eliminou o Dallas Mavericks, líder da Conferência, mesmo entrando como 8º colocado da Conferência Oeste. Mas caiu para o Utah Jazz por 4 x 1.



