No fim dos anos 1980, a NBA ainda enxergava pivôs como guardiões da área pintada. Jogadores gigantes deveriam proteger o aro, pegar rebotes e pontuar perto da cesta. Era quase uma regra silenciosa da liga. Então o Golden State Warriors resolveu fazer exatamente o contrário.
Don Nelson, um técnico que parecia pensar o basquete décadas à frente, pegou Manute Bol, de 2,31m, o jogador mais alto a pisar em uma quadra da NBA na história e conhecido pelos tocos absurdos, e começou a incentivá-lo a chutar bolas de três. Não como brincadeira. Não em treinos escondidos. Em jogos oficiais da NBA.
- Receba as notícias em primeira mão em nosso Grupo de WhatsApp ou Canal de Transmissão!
- Siga o Warriors Brasil nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e Tiktok.
Quando Don Nelson testou de armador Manute Bol, o jogador mais alto da história da NBA
Don Nelson já tinha fama de desafiar conceitos tradicionais do basquete. Muito antes do termo “small ball” virar tendência, ele buscava quintetos rápidos, espaçamento ofensivo e liberdade criativa. O problema é que, em 1988, quase ninguém enxergava o jogo daquela forma.
Quando o Warriors trouxe Manute Bol para a temporada 1988/89, a expectativa parecia simples: proteção de aro. Bol era um fenômeno físico.
Magro, gigantesco e dono de uma envergadura assustadora, virou rapidamente um dos maiores bloqueadores da NBA. Atacantes evitavam entrar no garrafão quando ele estava em quadra. Mas Nelson viu outra possibilidade.
O gigante que começou a arremessar do perímetro
Em vez de limitar Bol ao trabalho defensivo, Don Nelson começou a dar liberdade para que ele chutasse da linha de três pontos. Hoje isso parece normal. Naquela época, parecia um surto coletivo.
Um pivô de 2,31m sequer deveria segurar a bola longe da cesta, na visão tradicional da liga. Agora imagine esse mesmo jogador puxando contra-ataques e arremessando do perímetro. O ginásio reagia entre choque e diversão.
“Muita gente acha que é loucura deixar o Manute arremessar esses chutes, mas isso faz ele se impor. Faz com que ele se torne parte do ataque. A torcida adora isso, e o time também”.
E talvez essa fosse justamente a graça da experiência. Bol terminou aquela temporada com impressionantes 91 tentativas de três pontos e 20 acertos. Para um pivô daquele tamanho, nos anos 80, era algo simplesmente inacreditável.
Mas o principal de tudo é que Manute Bol não havia acertado nenhuma cesta de três pontos na NBA até então. As 20 bolas que converteu naquele ano acabaram sendo seu recorde pessoal.
A noite em que tudo ficou ainda mais absurdo
O momento mais lendário daquela fase aconteceu em um jogo contra o Phoenix Suns, em 1993, já anos depois da primeira experiência no Warriors. Naquela noite, atuando pelo Philadelphia 76ers, Manute Bol acertou seis bolas de três em apenas um tempo.
O detalhe torna tudo ainda mais inacreditável: ele havia convertido apenas 10 arremessos de três em toda a carreira até aquele jogo. Foi o tipo de atuação que transformou um experimento excêntrico em uma das histórias mais curiosas da NBA.
Don Nelson estava vendo o futuro antes de todo mundo: o embrião do pivô moderno
Hoje, a NBA é dominada por jogadores altos que arremessam de fora. Victor Wembanyama, Kristaps Porzingis, Chet Holmgren e Brook Lopez representam uma geração onde altura e chute coexistem naturalmente. Mas nos anos 1980 isso era quase proibido culturalmente.
A ideia de um pivô espaçando a quadra parecia irresponsável. Técnicos acreditavam que homens grandes precisavam jogar perto do aro o tempo inteiro. Nelson discordava dessa lógica.
Ele enxergava o espaço como arma ofensiva. E, de certa forma, Manute Bol virou um laboratório ambulante dessa filosofia.
O impacto cultural de Manute Bol
Mesmo quando errava, Bol virava entretenimento puro. O público reagia toda vez que ele recebia livre no perímetro. Companheiros apontavam para a cesta incentivando o chute. O banco se levantava antes mesmo da bola tocar no aro. Havia algo magnético naquele cenário improvável.
Talvez porque o basquete seja movido justamente por momentos que desafiam expectativa. Manute Bol já chamava atenção apenas por existir fisicamente dentro de uma quadra da NBA. Quando começou a arremessar de três, virou uma figura quase folclórica.
Mas existe um detalhe importante: ele não era tratado como piada dentro do Warriors. Don Nelson realmente acreditava na expansão ofensiva do jogo.
Don Nelson: o “cientista maluco” que mudou o basquete sem perceber
Don Nelson sempre foi tratado como um dos técnicos mais criativos da história da NBA. Enquanto outros treinadores seguiam manuais tradicionais, ele preferia testar ideias desconfortáveis. Às vezes funcionava. Às vezes parecia completo caos. Mas quase sempre era interessante.
Sua passagem pelo Warriors ajudou a criar uma cultura ofensiva que mais tarde se tornaria marca registrada da franquia. Ritmo acelerado, versatilidade e liberdade criativa passaram a fazer parte da identidade do time. O experimento com Manute Bol encaixa perfeitamente nesse contexto.
Quem foi Manute Bol no Golden State Warriors?
Manute Bol atuou pelo Warriors no fim dos anos 1980 e ficou marcado por sua proteção de aro e pelas tentativas incomuns de arremessos de três pontos incentivadas por Don Nelson.
Quantas bolas de três Manute Bol tentou em 1988/89?
Na temporada 1988/89, Manute Bol tentou 91 arremessos de três pontos, algo extremamente raro para pivôs daquela época, tendo 20 acertos.
Don Nelson inventou o “pivô moderno”?
Don Nelson não inventou sozinho o pivô moderno, mas ajudou a antecipar conceitos importantes da NBA atual, como espaçamento ofensivo e jogadores altos arremessando do perímetro.
Continue acompanhando o Warriors Brasil para mais histórias esquecidas da NBA:
- Vitória mais caótica da história dos Warriors obrigou a NBA ativar “regra secreta” e transformou Stephen Curry em lenda
- Como o puxão de orelha da mãe de Draymond Green levou os Warriors às finais da NBA 2019?
- Warriors miram dois armadores para ajudar Stephen Curry na próxima temporada da NBA
- Harry Potter era obsessão secreta nos Warriors e Leandrinho acabou “arrastado” para Hogwarts
- Por que Dirk Nowitzki recebeu uma “obra de arte” dos Warriors e ainda deixou assinatura?



