Poucos hábitos de Stephen Curry chamam tanto a atenção quanto sua paixão por pipoca. Enquanto muitos atletas seguem rituais de aquecimento ou ouvem músicas específicas antes das partidas, o astro do Golden State Warriors tem uma tradição inegociável: comer pipoca em praticamente todos os dias de jogo.
O hábito é tão sério que Curry criou um ranking pessoal das pipocas servidas nas arenas da NBA e já admitiu que seu humor pode mudar quando o petisco não está disponível no vestiário antes do aquecimento.
Mas, afinal, essa obsessão pode prejudicar um atleta de alto rendimento? Especialista internacional explica por que tudo depende da forma de preparo, da quantidade e do momento em que o alimento é consumido.
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Stephen Curry come pipoca quase todos os dias
Em entrevistas ao longo da carreira, Stephen Curry revelou consumir pipoca pelo menos seis dias por semana. Nos dias de jogo, a rotina é praticamente automática.
Assim que chega ao ginásio, ele vai direto ao vestiário em busca do tradicional balde de pipoca. O lanche faz parte de todo o cronograma da partida: antes do aquecimento, durante o intervalo e, se a qualidade for aprovada, até mesmo depois do jogo.
Segundo relatos, quando a equipe responsável pelo vestiário esquece de deixar a pipoca preparada, o armador sente a ausência do ritual e fica visivelmente incomodado.
O “sommelier de pipocas” da NBA
A paixão pelo petisco foi levada a outro nível na temporada de 2019. Stephen Curry criou um verdadeiro sistema de avaliação das pipocas oferecidas nas 29 arenas adversárias da NBA. Assim, o armador analisava diversos critérios antes de dar sua nota:
- Crocância;
- Frescor;
- Quantidade de sal;
- Uso de manteiga;
- Apresentação geral.
Na época, o título de melhor pipoca da liga ficou com a servida no American Airlines Center, em Dallas, casa do Dallas Mavericks.
A brincadeira rapidamente ganhou repercussão entre jogadores, jornalistas e torcedores, transformando Stephen Curry em uma espécie de “crítico gastronômico” da NBA.
Steph Curry ranks best arenas (and worst) in the NBA based on the freshness, the saltiness, the butteriness and the crunch of their popcorn https://t.co/x1RZhe3NOf pic.twitter.com/5mhLMcn1gW
— Warriors on NBCS (@NBCSWarriors) March 28, 2019
Pipoca faz mal para atletas? Especialista explica
Apesar da fama de alimento típico de cinema, a pipoca não é necessariamente uma vilã para quem pratica esportes.
Segundo o nutricionista esportivo Dr. George Farah, conhecido como “The Guru” e Doutor em Medicina Integrativa, o problema não está no alimento em si, mas na forma como ele é preparado.
“A pipoca, por si só, não é o problema. Na sua forma mais natural, pode até ser uma boa fonte de carboidratos leves. Porém, quando recebe excesso de manteiga, aditivos artificiais e muito sódio, passa a ser contraproducente”.
O especialista destaca que versões preparadas de maneira simples podem fazer parte da alimentação de atletas de alto rendimento.
“A qualidade e o momento do consumo sempre são mais importantes do que o alimento em si”, explica.
Quando a pipoca pode entrar na dieta de um atleta?
De acordo com Dr. George Farah, a pipoca é um grão integral e pode fornecer fibras e carboidratos, tornando-se uma boa opção de lanche quando preparada sem excesso de gordura, sal ou ingredientes artificiais.
Por outro lado, ele recomenda evitar o consumo imediatamente antes de treinos ou competições.
“As fibras podem provocar sensação de inchaço ou desconforto gastrointestinal. Como em qualquer estratégia nutricional, quantidade, preparo e horário fazem toda a diferença”.
Quando um alimento vira um “vício alimentar”?
Embora Stephen Curry trate a pipoca quase como um ritual, isso não significa necessariamente um vício alimentar.
Segundo Dr. George Farah, um alimento passa a representar um problema quando existe perda de controle ou dependência emocional.
“O consumo começa a ser preocupante quando interfere na saúde ou no desempenho esportivo. Na maioria das vezes, isso está mais relacionado ao comportamento do que ao alimento em si.”
O especialista reforça que restrições extremas costumam produzir o efeito contrário.
“Quando a alimentação é equilibrada, o sono é adequado e o estresse está controlado, os desejos intensos tendem a diminuir naturalmente”.
Stephen Curry não é o único atleta com uma paixão gastronômica
Jimmy Butler transformou sua paixão por café em um negócio milionário. Durante a “bolha” da NBA, em 2020, vendia cafés para outros jogadores por US$ 20 a xícara. A brincadeira deu origem à marca BIGFACE Coffee, especializada em cafés premium.
LeBron James é apaixonado por vinhos e costuma compartilhar seu apreço por rótulos sofisticados. Outro “guilty pleasure” do astro são os tradicionais cookies de chocolate, embora ele reduza o consumo quando entra em fases mais rígidas de preparação física.
Já Anthony Edwards nunca escondeu que é fã do frango frito do Popeyes. O armador brinca que comeria o prato quase todos os dias, mas mantém o consumo sob controle durante a temporada.
O caso mais radical talvez seja o de Nikola Jokić. Antes de chegar à NBA, o pivô sérvio revelou consumir cerca de três litros de Coca-Cola por dia. A mudança aconteceu quando foi selecionado pelo Denver Nuggets: ele abandonou completamente o refrigerante e transformou sua alimentação, mudança considerada fundamental para sua evolução física e para a conquista de três prêmios de MVP da liga.
Há também quem tenha desenvolvido uma relação completamente diferente com a alimentação. Chris Paul, por exemplo, adotou uma dieta predominantemente baseada em vegetais e afirma que a mudança contribuiu para melhorar sua recuperação muscular, reduzir dores e prolongar sua carreira na NBA.
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