Antes de Draymond Green virar a alma emocional do Golden State Warriors, a franquia já teve um jogador que fazia exatamente esse papel dentro de quadra. Não era o principal pontuador. Não era o rosto das campanhas publicitárias. Mas ninguém mexia com sua estrela enquanto ele estivesse por perto. Seu nome era Al Attles.
Nos anos 60, quando a franquia ainda carregava o nome Philadelphia Warriors, Attles ganhou um apelido que dizia tudo sobre sua presença: “The Destroyer” (“O Destruidor”, em português). Um armador baixo para os padrões da NBA, mas que jogava como segurança particular dentro da quadra.
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Al Attles: o xerife invisível por trás da Era Wilt Chamberlain
Quando se fala nos primeiros anos lendários da franquia, quase tudo gira em torno de Wilt Chamberlain. E faz sentido. O pivô mudou o esporte, destruiu recordes e protagonizou uma das noites mais absurdas da história do basquete ao marcar 100 pontos em 1962. Mas existe um detalhe curioso naquela partida histórica.
Enquanto Wilt fazia chover cestas contra o New York Knicks, o segundo maior pontuador do Warriors naquela noite foi justamente Al Attles. Não porque fosse uma estrela ofensiva. Mas porque ele fazia de tudo.
O homem que fazia o trabalho sujo
Attles tinha uma reputação conhecida em toda a liga. Era físico, intenso e completamente disposto a entrar em confronto quando necessário. Em uma NBA muito mais agressiva do que a atual, isso tinha enorme valor interno dentro dos times.
Wilt Chamberlain, apesar do tamanho assustador, nunca gostou de confusão física. E adversários sabiam disso. Então, os Warriors criaram uma espécie de escudo humano para sua superestrela. Esse escudo era Al Attles.
A dinâmica lembra muito o que Draymond Green representa para Stephen Curry atualmente. Um jogador que entende o peso emocional da equipe e assume batalhas que outros preferem evitar. Só que Attles fazia isso em uma NBA onde socos, empurrões e intimidação eram praticamente parte do jogo.
O apelido que nasceu na marra
“The Destroyer” não surgiu por acaso. Attles construía sua reputação na base do contato físico, da defesa sufocante e de uma personalidade impossível de ignorar. Ele não precisava marcar 30 pontos para mudar o clima de um jogo. Bastava uma dividida mais forte. Ou uma encarada.
Em muitos momentos, sua função parecia quase psicológica. Os Warriors sabiam que podiam jogar com mais liberdade porque Attles controlava o tom emocional das partidas. E isso criava respeito instantâneo.
Muito além do “cara duro” do elenco: a inteligência que ajudou a moldar a franquia
Reduzir Al Attles apenas ao papel de enforcer seria injusto. Ele também era extremamente inteligente dentro de quadra. Entendia ritmo, organização e liderança silenciosa. Talvez por isso tenha conseguido permanecer ligado ao Warriors por décadas depois da aposentadoria.
Attles virou técnico. Depois executivo. E mais tarde se consolidou como uma das figuras mais importantes da história completa da franquia. Poucos personagens representam tanto o DNA do Warriors quanto ele.
A conexão com o jogo de 100 pontos de Wilt
O jogo dos 100 pontos costuma ser lembrado como uma apresentação individual isolada. Mas aquela noite também mostrou a importância de Attles dentro da equipe. Além de contribuir ofensivamente, ele ajudou a controlar o ambiente em quadra enquanto o time alimentava Wilt constantemente.
Os adversários começaram a endurecer fisicamente conforme o recorde se aproximava. E Attles estava ali para responder. Existe uma razão pela qual tantas estrelas históricas valorizam jogadores assim.
Eles permitem que os craques foquem exclusivamente no jogo. Wilt tinha isso em Al Attles. Stephen Curry encontrou isso décadas depois em Draymond Green.
O paralelo inevitável com Draymond Green
Draymond Green raramente lidera o Warriors em pontos. Mesmo assim, quase toda grande sequência vencedora da franquia moderna passa pela intensidade emocional que ele traz para quadra. Com Attles acontecia algo parecido. Os dois compartilham características muito específicas:
- Leitura defensiva
- Liderança vocal
- Proteção das estrelas
- Capacidade de mudar o clima emocional de uma partida
- E principalmente: disposição para assumir desgaste público em nome do time.
A diferença é que Attles fazia isso em uma NBA ainda mais selvagem fisicamente.
O técnico campeão que quase ninguém lembra primeiro: a conquista histórica de 1975
Muita gente esquece que Al Attles também comandou um dos maiores títulos da história da franquia como treinador. Em 1975, ele liderou o Warriors ao campeonato da NBA contra o favoritíssimo Washington Bullets. A série terminou em uma varrida histórica por 4 x 0.
Foi um dos maiores choques da década. Enquanto o time brilhava com Rick Barry em quadra, Attles organizava emocionalmente um elenco extremamente disciplinado taticamente. Aquele título consolidou de vez sua importância eterna para a franquia.
Quem foi Al Attles no Warriors?
Al Attles foi jogador, técnico e executivo do Warriors, sendo uma das figuras mais importantes da história da franquia desde os tempos de Philadelphia Warriors. Teve seu número, a camisa 16, aposentada pelo time em 1977.
Em 2019, foi introduzido no Hall da Fama do basquete. Foi o treinador campeão no último título do Golden State antes da Era Curry, em 1975.
Por que Al Attles era chamado de “The Destroyer”?
O apelido surgiu por causa de seu estilo físico, intenso e pela função de proteger companheiros, especialmente Wilt Chamberlain, em jogos muito agressivos da NBA dos anos 60.
Al Attles estava no jogo dos 100 pontos de Wilt Chamberlain?
Sim. Al Attles participou do lendário jogo dos 100 pontos em 1962 e foi o segundo maior pontuador do Warriors naquela partida histórica.
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